1

Sou matuto do Nordeste

criado dentro da mata

caboclo cabra da peste

poeta cabeça chata

por ser poeta roceiro

eu sempre fui companheiro

da dor, da mágoa e do pranto

por isto, por minha vez

vou falar para vocês

o que é que eu sou e o que canto.

2

Sou poeta agricultor

do interior do Ceará

a desdita, o pranto e a dor

canto aqui e canto acolá

sou amigo do operário

que ganha um pobre salário

e do mendigo indigente

e canto com emoção

o meu querido sertão

e a vida de sua gente.

3

Procurando resolver

um espinhoso problema

eu procure defender

no meu modesto poema

que a santa verdade encerra

os camponeses sem terra

que o céu deste Brasil cobre

e as famílias da cidade

que sofrem necessidade

morando no bairro pobre.

4

Vão no mesmo itinerário

sofrendo a mesma opressão

nas cidades, o operário

e o camponês no sertão

embora um do outro ausente

o que um sente o outro sente

se queimam na mesma brasa

e vivem na mesma Guerra

os agregados sem terra

e os operários sem casa.

5

Operário da cidade

se você sofre bastante

a mesma necessidade

sofre o seu irmão distante

levando vida grosseira

sem direito de carteira

seu fracasso continua

é grande martírio aquele

a sua sorte é a dele

e a sorte dele é a sua.

6

Disto eu já vivo ciente

se na cidade o operário

trabalha constantemente

por um pequeno salário

lá nos campos o agregado

se encontra subordinado

sob o jugo do patrão

padecendo vida amarga

tal qual burro de carga

debaixo da sujeição.

7

Camponeses meus irmãos

e operários da cidade

é preciso dar as mãos

cheios de fraternidade

em favor de cada um

formar um corpo comum

praciano e camponês

pois só com esta aliança

a estrela da bonança

brilhará para vocês.

8

Uns com os outros se entendendo

esclarecendo as razões

e todos juntos fazendo

suas reivindicações

por uma democracia

de direito e garantia

lutando de mais a mais

são estes os belos planos

pois nos direitos humanos

nós todos somos iguais.

CRÉDITOS

Autor: Patativa do Assaré

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