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Se eu soubesse que esse mundo

Estava tão corrompido

Eu tinha feito uma greve

Porem não tinha nascido

Minha mãi não me dizia

A queda da monarchia

Eu nasci foi enganado

Pra viver n'este mundo

Magro, trapilho, corcundo,

Alem de tudo sellado.

Assim mesmo meu avô

Quando eu pegava a chorar,

Elle dizia não chore

O tempo vai melhorar.

Eu de tolo acreditava

Por innocente esperava

Ainda me sentar n'um throno

Vovó para me distrahir

Dizia tempo ha de vir

Que dinheiro não tem dono.

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Só se ver hoje no mundo,

Agonia e desispero,

Fiscaes e procuradores

E numero de cobradores

Pondo tudo amedrontado

E para mais nossa melhora

Qualquer que nascer agora

O pai há de o ver sellado.

Dizem os filhos da Candinha

Que na camara dos deputados

Querem formar um projecto

Para os homens serem sellados,

Isso faz repugnar!

E pudemos acreditar.

Que o imposto não nos larga,

Podemos aguardar as horas

Que montem em nós com esporas

E nos façam carregar carga.

Havemos de andar agora

Do imposto amendrontados,

Com mil e cem de estampilhas

Nos chapeus e nos calçados

O que havemos de fazer?

Já não se pode soffrer

O fio da cruel fome

Os homens todos alerta

O Estado nos aperta

O municipio nos come.

CRÉDITOS

Autor: Leandro Gomes Barbosa

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